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Sou um exilado. Não fui condenado, nem preso, nem tampouco desafiei algum tipo de governo ditatorial. Escolhi fugir. Escolhi ficar longe da minha casa, da minha organizada em Curitiba, dos meus pais, do meu companheiro, enfim, de tudo um pouco, de tudo que alimentava minhas horas, minhas angústias, minha correria. Precisava parar, brecar, a vida estava quase como um filme de aventuras hollywoodiano, com estrepolias explodindo a cada momento. Chega. Basta. Foi então que no momento mais tenso da minha vida, passei em um concurso público federal, um sonho que se realiza, enfim, serei um professor universitário, pesquisa, tempo para leitura, enfim, tempo de ócio produtivo. Tanto que depois de tanto tempo, pude  sentar de novo diante do computador e escrever algo, nem me lembro mais quando foi a última postagem. Estou numa cidade que se resume a duas ruas: uma que desce, outra que sobe. A vida aqui é lenta, devagar, já cansei de me dar conta que não sei que dia é da semana, isso em Curitiba era impossível, não tinha como me ausentar das coisas. Aqui estou me ausentando, estou usando o tempo a meu favor e não sendo usado por ele, cruel tempo. Sigo agora, em frente, mas bem devagar, a vida pede. 

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o homem do amanhã

"Amanhã eu começo tudo de novo." Essa é a frase preferida de Pedro. Tudo ele deixava para amanhã. Fumava e decidiu que "amanhã eu largo desse vício". Engordou também e enquando comia um brigadeiro de panela, pensava "amanhã eu paro de comer doce". Aquele livro sobre a cabeceira da cama, já estava até com teia de aranha, "amanhã eu retomo a leitura". E aquela moça que sempre dava-lhe a maior moral, "amanhã eu falo com ela". Um dia, pela manhã, encontraram Pedro morto, o cadáver já estava em rigor mortis . Os legistas dizeram que ele havia morrido durante a noite, vitimado por um fulminante ataque cardíaco. Pedro não viu o amanhã que tanto esperava.

tentações

na esquina, havia um doce cheiro de bolo de chocolate. Na frente do mercado, ouvia-se o estalar do pão de cachorro sendo tostado, cebola, alho se destacavam entre tantos odores saborosos. Eu, em estado provisório de regime, tentei fazer careta, mas, na verdade, minha boca encheu d'água. Corri para o terminal, lá dentro, uma moça vendia bombons feitos em casa, dentro deles havia um misterioso recheio: uva, morango, doce de leite, sei lá, tudo isso com alguns megatons de calorias. Enfiei meu fone de ouvido e dá-lhe ouvir música, mas parece que entoam mantras: foooome, foooome, fooome. Entrou uma senhora carregando um isopor, o cheiro já denunciava, haviam dezenas, quem sabe centenas de coxinhas lá dentro. Cheguei no trabalho exausto, como é dificil viver apartado de comida, quando se vive em uma sociedade em que os maiores prazeres abundam pelas ruas e calçadas, assim, a olhos vistos. Tive receio de entrar de sopetão na sala dos professores, há uma espécie de zona proibida agora, o c...
Um ano, exatamente um ano estou voltando a postar alguma coisa no meu blog. Bem,ano passado assumi o projeto de passar no doutorado, fiz disso, a linha condutora do meu ano inteiro,dois eventos, dois artigos publicados, parece pouco né, mas pensem, atuando em dois trabalhos...E agora estou de volta,cheio de vontade escrever. Um ano que promete, as disciplinas do doutorado e o trabalho na PUC são algumas das novidades.